terça-feira, 5 de outubro de 2010

Uma casa no campo

Where can you run to escape from yourself?
Pra onde você pode escapar de você mesmo?

Eu não sei onde fica o esconderijo.
Não me atrevi a cavar um buraco para enterrar minha cabeça como fazem os avestruzes. (São eles, não é?)
Nâo fiz curso de astronauta para ir a lua.
Não sei mergulhar.
Não me daria bem em escaladas, acho que não tenho força.
Fugir?
Acho que sim, em pensamento.
Para uma ilha.
Para uma casa no campo.
Fogão a lenha. Tapete de lã de ovelha. Livros. Poltrona confortável. Pipoca. Coca-cola. Chuva.
Um tapete voador para ver as coisas do alto.
Para estar por cima.
(pelo menos alguns instantes, rs.)
Asas.
Poder ter autonomia e voar sozinha.
Independencia.
Medo.
Quero voltar.
Quero colo.
Quero abrigo.
Quero um castelo. Um cavalo preto. Quero aprender a cavalgar.
Quero um rio. Peixes. Pescar. Um barco? Remo?
Quero o vento. Quero frio.
Quero me sentir viva.
Quero viver.
Me tire dessa caixa de concreto.
Me desconecte.
Off line.
Não. Ausente.
No mundo da lua.
No meu mundo.
Nos meus pensamentos.
Do meu jeito.
Não é você. Sou eu.
Apenas eu.
Envolta em minha bolha.
Em uma cápsula.
Em pensamentos.
Sozinha? Talvez. Nem sempre. As vezes.
Apenas tentando escapar de mim mesma.
Tentando crescer.
Eu quero uma casa no campo.



Um comentário:

  1. Ahhh uma casa de campo no meio desse furacão mental é um desejo que temos em comum Dorothy...
    Sei que não devemos fugir, mas as vezes parece ser a única maneira de ter paz.

    Hoje de manhã estava lembrando, com saudades, do sítio do meu avô. Coincidência?

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